11/03/2008
- MAIS Brasil consegue alugar sua sede
Dois anos e dois meses depois de ter iniciado
o trabalho da MAIS Brasil, Renata Cholbi tem motivos de sobra
para comemorar e, paradoxalmente, para se preocupar. A razão
dos dois sentimentos foi o aluguel, semana passada, da sede
da MAIS Brasil, na Rua Santo Cristo, 163, no Santo Cristo,
bairro central do Rio de Janeiro.
Felicidade porque ter uma sede significa, para
a MAIS Brasil, a possibilidade de ampliar o trabalho que já
vinha sendo feito e corria o risco de acabar caso não
fosse imediatamente ampliado. "Nosso trabalho encontra-se
emperrado por não possuirmos um espaço para
melhorar e ampliar nossos programas", relatou a diretora
de projetos Maria Isabel de Abreu Monteiro em entrevista
ao Portal do Soropositivo em janeiro passado.
O medo da fundadora e presidente da MAIS Brasil
tem a ver com o fato do trabalho depender da ajuda dos voluntários
on-line e dos sócios contribuintes. Caso estes doadores
deixem de ajudar a MAIS Brasil, Renata terá que honrar
com o compromisso do aluguel da casa e significará
o fim do trabalho da MAIS Brasil.
Em entrevista para o Portal do Soropositivo,
Renata conta em detalhes as novidades e cobra: "A ajuda
dos voluntários e sócios contribuintes é
fundamental".

Renata : "A ajuda de todos é
fundamental nesse momento, com qualquer tipo de doação"
Portal do Soropositivo
- Conte a novidade.
Renata: (Risos) É bom dar notícia
boa, né? Conseguimos alugar a nossa casa. O contrato
foi assinado no dia 3 de março, numa segunda-feira.
Ter sido assinado no primeiro dia últi do mês,
numa segunda-feira, tem um simbolismo todo especial. É
um novo começo. Naquele dia, quando assinei o contrato
de aluguel, veio um frio na barriga e me lembrei de tudo que
passamos nesses dois anos e pouco de trabalho.
PS - O
que passou pela sua cabeça?
Renata: Tudo. O início
do trabalho, no Hospital dos Servidores do Estado, o prosseguimento
em vários lugares amigos que nos abrigaram nos momentos
de dificuldade, como a escola Martins Pena, a Fundição
Progresso e a Casa de Padre Pio. Lembrei da guerra mensal
que eu travo para conseguir as doações, as várias
ligações que recebo diariamente com pessoas
bem intencionadas, as triagens que entram madrugada adentro
para selecionar boas e más doações, sempre
com a Bel (Maria Isabel Monteiro, diretora de projetos da
MAIS Brasil) e a Clara (Maria Clara Amado, vice-presidente
da MAIS Brasil) ao meu lado.
PS -
Conte em detalhes os tramites desse aluguel.
Renata: Vamos lá. A
casa fica no Santo Cristo, bairro central, à Rua Santo
Cristo, 163. Pagaremos R$ 700 pelo aluguel + R$ 120 de IPTU
(10 parcelas de R$ 120) + Taxas (luz, água, telefone
etc.). Portanto, calculamos que o gasto mensal seja de R$
1.500.
PS -
O que vocês já possuem na casa?
Renata: Quase nada. Recebemos
essa primeira semana alguns livros de doação,
mouses para futuros computadores, monitor e teclado. Mais
do que nunca, nesse momento, precisamos de doações
variadas, como móveis usados, carteiras de colégio,
mesa e material de escritório, computador, briquedos
para a nossa brinquedoteca, material de limpeza, fogão,
geladeira etc.
PS -
O que será possivel fazer com esse espaço?
Renata: Ir muito além
da distribuição das cestas e das palestras com
profissionais de saúde. Muitos desafios e compromissos
com as quarenta famílias que contam com o nosso apoio
estão pela frente. Primeiro: formatar e pôr para
funcionar uma cooperativa, que agregue todas essas mães,
gerando renda e dignidade para as famílias. Segundo:
instalar e iniciar o trabalho da Brinquedoteca, projeto elaborado
pela pedagoga Mariana Traverso e que está prestes a
sair do forno. Terceiro: começar para ontem um trabalho
ininterrupto de apoio psicológico às famílias.
E por último, mas não menos importante: usar
a casa como base para um projeto de prevenção
e conscientização em escolas públicas.
PS
- Essa nova empreitada traz que tipos de desafios?
Renata: Vários. O primeiro
é conseguir manter essa estrutura. Segundo a Clara
me informou ontem, mensalmente contamos com menos do que o
necessário. Precisamos urgentemente de novos sócios,
pessoas que se comprometam a doar nem que sejam 10 reais por
mês. Outro desafio é conseguir pessoas que honrem
o que prometerem. No afã de querer ajudar, muitas pessoas
se comprometem em doar e não efetuam o depósito,
o que nos ilude e põe em risco o trabalho.
PS -
Em entrevista em 16 de janeiro
ao Portal, a diretora de projetos Maria Isabel Monteiro disse
que a principal meta para 2008 seria a conquista de um espaço.
Uma vez que essa meta foi atingida no início do terceiro
mês do ano, quais são as outras metas para 2008?
Renata: Colocar esse lugar
para funcionar. Implementar, aos poucos, cada um dos projetos
citados acima. E, acima de tudo, manter a humanidade que vêm
pautando nossas ações nesses dois anos.
|