Portal do Soropositivo
 

16/01/2008 - MAIS Brasil comemora dois anos ajudando 40 famílias

Dezembro foi o mês de aniversário da MAIS Brasil. Já são dois anos de trabalho initerrupto com 40 famílias e pouco mais de 200 pessoas, entre portadores e familiares não-portadores. Com a idade, chega a hora de enfrentar os novos desafios. Em um bate-papo com o Portal do Soropositivo, a diretora de projetos da MAIS Brasil Maria Isabel de Abreu Monteiro conta quais são as metas para 2008 e destaca os pontos altos deste ano que termina.


Maria Isabel: "São diferentes o preconceito da década de 1980 e o de hoje"

Portal do Soropositivo - Quais foram os melhores e os piores momentos desse ano que termina?

Maria Isabel: Estamos vivendo o melhor momento do trabalho, ao vermos o grupo, como um todo, crescer. Nossos atendidos estão desenvolvendo suas auto-estimas, estão interagindo e, juntos, construindo o sentimento de coletividade. E, paradoxalmente, também estamos vivendo um momento decisivo, já que nosso trabalho encontra-se emperrado por não possuirmos um espaço para melhorar e ampliar nossos programas.

PS - Faça um retrato do trabalho da MAIS Brasil hoje, início de dezembro de 2007 e, portanto, início do terceiro ano de idade.

Maria Isabel: Hoje, estamos com um grupo de 40 famílias, que vem aumentando à medida que mais crianças nascem. Somos totalmente sustentados pela ação de amigos e colaboradores, principalmente via Orkut. Em virtude dessa grande rede de voluntários e doadores, temos uma grande preocupação com a transparência de nossas ações, já que depende deles o aumento da nossa capacidade de atuação.

PS - Qual o perfil da pessoa atendida pela MAIS Brasil hoje?

Maria Isabel: O perfil é variado. Existem portadores, pais e mães em sua maioria, e não portadores, que são as crianças e alguns cônjuges. Todos são pessoas carentes, quase todos desempregados ou com subempregos, muitas vezes em função da debilitada condição de saúde. As condições de moradia dessas pessoas também são péssimas. As únicas coisas certas em suas vidas são o remédio e o Riocard (cartão que permite ao portador não pagar passagens de ônibus e metrô) doados pelo Estado e a cesta de alimentos e de produtos de primeira necessidade que a MAIS Brasil fornece.

PS - Mais de 20 anos após a descoberta do HIV, os soropositivos ainda sofrem preconceito?

Maria Isabel: Claro que sim. Existe uma diferença muito grande entre o preconceito de meados da década de 1980 para o preconceito de hoje. Naquela época, os portadores eram discriminados porque a sociedade não conhecia aquela terrível epidemia que surgia. Hoje, são estigmatizados por duas coisas: por ter contraído a doença apesar de toda a informação disponível sobre proteção sexual e, no caso de usuários de drogas, por não ter tomado os devidos cuidados. É como se a sociedade quisesse lavar suas mãos jogando a culpa nos soropositivos. É um discurso extremamente preconceituoso, do tipo "não se protegeu, não tomou cuidado: bem feito".

PS - O fato de ser pobre agrava esse preconceito?

Maria Isabel: Com certeza. Conheço pessoas de classe média alta portadoras que são tidas como exemplo, como heróis, por conviver há quase 15 anos com a doença. O pobre, não. Ele nunca vai ser visto como um guerreiro, como um lutador que está conseguindo lidar com tudo aquilo. Sempre será um gauche, o anjo torto do Drummond. É justamente ele que sofre todo o preconceito de que eu falei na sua outra pergunta.

PS - E fazer um trabalho social voltado para o soropositivo pobre, também desperta preconceito?

Maria Isabel: Claro que sim. Pelas mesmas razões acima. A sociedade não abraça essa causa. O estigma é muito grande. Exceto casos atípicos, como o brilhante trabalho de Lucinha Araújo na Sociedade Viva Cazuza, as pessoas não se envolvem com trabalhos relacionados a AIDS. Essa palavra dá medo e todos correm dela, misturando diferentes preconceitos. O machão vira as costas para a causa por envolver homossexuais. Os conservadores se negam a ajudar por ainda acreditar no mito do grupo de risco, formado por homossexuais, prostitutas e pessoas que variam de parceiros sem proteção.

PS -Qual a principal meta para 2008?

Maria Isabel: Conquistar um espaço para que possamos desenvolver todos os projetos que temos para o atual grupo com que trabalhamos e ampliar nossa atuação junto aos soropositivos.

 



 
 
 
 
Conheça algumas informações úteis para o soropositivo  
 
 
  > Portal do Soropositivo
  > Informações úteis para o soropositivo e sobre o HIV
  > Orientação Jurídica
> Fique por dentro

 

MAIS Brasil 2007. Todos os direitos Reservados.